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La Vie Science · Nutrição & Composição Corporal · 08

Nutrição durante o uso de terapias incretínicas

Como manter qualidade alimentar, hidratação e função quando o apetite diminui durante o tratamento.

8–10 min de leituraPublicado em 02/10/2026Conteúdo educacional

Por que a nutrição merece atenção durante terapias incretínicas?

Terapias baseadas em GLP-1 e combinações incretínicas podem reduzir de forma importante o apetite e a ingestão alimentar. Em algumas pessoas, efeitos gastrointestinais também dificultam comer e beber adequadamente.

Qual é o principal desafio?

Consumir menos energia sem comprometer qualidade nutricional. Isso significa priorizar alimentos nutritivos, proteína adequada ao contexto, fibras, micronutrientes e hidratação, respeitando tolerabilidade.

Consensos recentes ampliaram o foco

Documentos de especialistas publicados em 2025–2026 destacam que terapias incretínicas devem ser acompanhadas por atenção à qualidade da dieta, ingestão proteica, preservação de massa livre de gordura, exercício resistido, função física e sintomas gastrointestinais.

Quando o apetite está muito baixo, basta “comer o que conseguir”?

Não necessariamente. Redução acentuada da ingestão pode aumentar risco de inadequação nutricional. Estratégias de volume, frequência, densidade nutricional e tolerância podem ser individualizadas.

E a massa muscular?

Durante perdas expressivas de peso, proteína adequada e exercício resistido progressivo são estratégias pragmáticas para apoiar preservação de massa livre de gordura e função. Isso reforça por que medicamento, nutrição e exercício não devem ser tratados como universos separados.

O que avaliar antes e durante o tratamento?

O advisory conjunto de 2025 recomenda atenção a padrão alimentar habitual, condições clínicas relevantes, força, função, composição corporal e estilo de vida. Durante o tratamento, sintomas gastrointestinais, mudanças de preferência alimentar, ingestão insuficiente e risco de inadequação nutricional merecem acompanhamento.

Perder massa magra significa que o tratamento está fazendo mal?

Não necessariamente. Perdas relevantes de peso normalmente incluem alguma redução de massa livre de gordura. A questão clínica é a proporção, o contexto e, principalmente, se força, função e estado nutricional estão sendo preservados.

Tirzepatida: um exemplo de por que interpretar composição corporal

No subestudo de DXA do SURMOUNT-1, aproximadamente 75% do peso perdido com tirzepatida correspondeu a gordura e 25% a massa magra, em média. Massa magra não equivale integralmente a músculo, e o resultado é populacional — não uma previsão individual.

O cuidado é integrado

O medicamento pode facilitar redução de ingestão e peso; nutrição e exercício ajudam a orientar a qualidade desse processo. Quando há sintomas persistentes, baixa ingestão ou perda funcional, a estratégia precisa ser reavaliada clinicamente.

Referências essenciais

  1. Mozaffarian D, et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory. Am J Clin Nutr. 2025;122:344–367. PMID: 40450457.
  2. Donini LM, et al. Definition and diagnostic criteria for sarcopenic obesity: ESPEN and EASO consensus statement. Clin Nutr. 2022;41:990–1000. PMID: 35227529.
  3. Di Vincenzo O, et al. European Association for the Study of Obesity Position Statement on the Diagnosis and Management of Obesity in Older Adults. Obes Facts. 2026.
  4. EASO, EFAD, ECPO. Nutritional, functional, and psychological considerations for incretin-based therapies in adults: Consensus Statement. 2026.
  5. Look M, et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in SURMOUNT-1. Diabetes Obes Metab. 2025;27:2720–2729. PMID: 39996356.
Nota editorial La Vie Science

Conteúdo educacional. Necessidades nutricionais, ingestão proteica, exercício e métodos de avaliação corporal devem ser individualizados conforme idade, condições clínicas, tratamento e objetivos.